sábado, 22 de setembro de 2007

Eis o Norte

Escrevo de Palmas, Tocantins. Gostaria de ter escrito antes mas nos últimos dias eu me encontrava praticamente incomunicável. Eu estava no Jalapão e lá era bem difícil de encontrar telefone. Internet então ainda não existe por essas bandas.

De Brasília, último lugar onde eu escrevi, segui com destino a Alto Paraíso. A distância entre as duas cidades é de 230 km. O que de carro significaria mais ou menos 3 horas de viagem, para mim foram 3 dias. Alguns podem ver isso como uma desvantagem... levar 3 dias para percorrer uma distância que poderia ser feita em 3 horas... mas eu não vejo dessa maneira. O motivo pelo qual eu viajo de bicicleta é precisamente este. Poder passar devagar o suficiente para acenar para as crianças de olhares curiosos, saber de onde sopra o vento, sentir as inclinações do relevo nas próprias pernas e os caprichos do clima na própria pele e observar a paisagem com toda a calma necessária para realmente ver. Como cantou Cartola: "quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver". Ou seja quando se vai de bicicleta o que vale mesmo é a jornada e não o destino, mais ou menos assim como a vida.

Nessa primeira noite dormi em uma chácara de um amigo do Joaquim de Brasília. No outro dia acabei saindo só às 5 da tarde e parei às 10 e meia em um armazém de grãos perdido no meio da estrada, longe de qualquer civilização. Como estava ainda naquela fase de retorno às atividades - desde a semana parado em Brasília - me cansei bastante e não estava com muita disposição para armar a barraca. Estendi o saco de dormir em baixo de um telhadinho e deitei ali mesmo. O sol, incidindo diretamente sobre meus olhos, me acordou pontualmente, sem a menor possibilidade de pedir mais dez minutos.

Quando levantei dei de cara com o segurança do lugar. Imaginei que ele fosse me enxotar e já fui me adiantando e dizendo que estava de saída. O sorridente rapaz me ofereceu um café quentinho e ficou conversando comigo enquanto eu comia meu café da manhã. Pedalei o dia todo até anoitecer. Da estrada avistei uma luminosidade ao longe e achei que fosse a cidade de Alto Paraíso. À medida que fui me aproximando vi que era uma luz diferente, mais avermelhada. Andei um pouco mais e vi perfeitamente o contorno do fogo consumindo as montanhas. A cidade ficava bem próxima de onde queimava. Foram 102 km naquele dia para chegar até Alto Paraíso - cidade base para a visitação da Chapada dos Veadeiros. Lá fui procurar o Tom das Ervas, um curandeiro que mexe com plantas medicinais, produz xaropes, tônicos, garrafadas e por aí afora. Eu havia pego o contato dele com um discípulo seu que eu encontrara na estrada alguns dias antes. Não foi difícil achá-lo e ele me deixou dormir lá uma noite.
Como o Tom precisava ir a algum lugar, tive que sair bem cedo e não sabia ao certo qual seria o meu rumo para aquele dia. Fiquei perambulando um pouco pela cidade e parei no centro de atendimento ao turísta para ver se decidia alguma coisa. O lugar ainda estava fechado então tentei em vão dormir mais um pouco em um banco de praça. Logo chegou uma menina com uma mochila nas costas, a Melina. Conversamos um pouco e ela me contou que havia acabado de chegar e só tinha aquele dia para conhecer alguma coisa por lá. Voltaria para Brasília naquela mesma noite. Algum tempo depois chegou o guia. Ele nos explicou os vários passeios que poderiam ser feitos, mas o preço de nenhum deles me apeteceu muito. Para ir até uma cachoeira por exemplo o preço do guia com carro era R$130 a serem divididos pelo grupo. Como estávamos só nós dois seria 65 cada um. A Melina tentou me convencer a ir com ela - mas gastar em algumas horas mais do que eu tenho gasto em uma semana de viagem estava fora dos meus planos. Eu dispensaria esse luxo de guia e aluguel de carro e iria de bicicleta mesmo até algum lugar que tivesse que pagar muito pouco ou nada. Eu fiquei por ali analisando as opções e enquanto isso ela fechou o passeio com o guia. Iria sozinha mesmo. Quando eles estavam já de saída, ela, não sei se por compaixão ou só pela companhia mesmo, me perguntou se eu não queria ir junto. Como ela já tinha pago não faria diferença alguma se mais alguém fosse. Com muito gosto aceitei o convite.

O passeio escolhido foi a cachoeira do Macaquinhos. Ficava a 40 km da cidade. Na verdade eu não sei se teria me animado a pedalar 80 km ida e volta se essa oportunidade não tivesse aparecido. E com certeza teria deixado de conhecer um lugar maravilhoso. Haviam várias cachoeiras e, pra quem gosta – como é definitivamente o meu caso, alguns lugares bem altos para se aventurar a pular na água. Entretanto era necessário confiar na palavra do guia à respeito da “fundura”. Como confiança é fundamental para qualquer relação... fui... e não me arrependi. Tinha também boas vias para escalada onde não precisava de corda porque a água fazia a segurança. Ficamos algumas horas por lá e com muito pesar voltamos para Alto Paraíso.
Eu peguei a bicicleta que havia deixado na casa do guia, e segui rumo São Jorge, onde fica a sede do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Levei bastante mantimentos para poder acampar em algum canto e tentar fugir dos preços de turista. Os primeiros 20 km eram asfaltados, mas os 16 seguintes eram puro pó. Quando eu estava a alguns km da cidade um sujeito que vinha de carro encostou do meu lado e fez as perguntas de praxe, perguntou também onde eu iria dormir quando chegasse a São Jorge. Ele era dono de um albergue lá(dessa vez aqueles da juventude) e me passou os preços: 35 para o albergue e 20 para camping. Acho que ele percebeu pela minha cara que eu queria gastar menos. Ele então ofereceu para eu ficar uma noite de graça. Percorri os últimos km já bem mais tranquilo, sabendo que não precisaria mais caçar lugar pra dormir.

Cheguei na cidade e fui até a Casa da Sucupira, o albergue do René. Conversamos bastante e depois ele estendeu o convite para até o final do feriado. No primeiro dia, 5 de setembro, como o Albergue estava vazio eu dormi no quarto, depois ainda fiquei mais duas noites na barraca. Conheci o Carlos de São Paulo e por 2 dias nós tentamos ir até o parque da Chapada mas não pudemos entrar devido ao incêndio que há vários dias consumia a mata.

Nessa minha andança pelo cerrado já passei por vários incêndios. O fogo parece fazer do ciclo da vida por aqui. É muito interessante ver que em cima do preto do carvão brota o verde das folhas. Fiquei sabendo que praticamente todo ano tem vários desses incêndios. O pessoal daqui fala que é até bom que queime todo ano porque, nos locais que ficam 2 ou 3 anos sem queimar, quando o fogo vem se alastra com muito mais força e acaba com tudo, até as árvores mais altas que geralmente resistem aos incêndios menores. Nesse sentido muitas pessoas aqui põe fogo nas próprias terras como forma de controle. Outras vezes é para fazer pasto para gado mesmo. Infelizmente muitas vezes perde-se o controle e originam-se grandes incêndios como esse que assolava o Parque Nacional. Outro problema é que a cada ano a estação da seca está aumentando e a da chuva diminuindo.

Naquele primeiro dia que eu estava em São Jorge tudo estava bem tranquilo e sereno, praticamente só haviam os habitantes locais e tudo andava na típica calmaria de cidade pequena. Isso somado à beleza natural do lugar faziam um ótimo ambiente para descansar, pensar na vida, contemplar a natureza... Mas de repente era 7 de setembro. E se por um lado o feriado fez desabrochar aqui nesse lugar tão isolado as mais formosas flores do cerrado, por outro lado com elas vieram os mais feios bichos. Com seus tórax bombados e propositadamente expostos, seus carros com som turbinado, tocando música num volume incompatível com a paz coletiva. E por algum motivo, por mais que eu torcesse com todas minhas forças eles nunca tocavam Chico Buarque. Até congestionamento se via na ex-pacata cidade. Resolvi fugir de lá ainda antes do final do feriado. (Aproveito pra deixar aqui um abraço pro João Paulo, René, Carlos e toda galera que eu encontrei lá no camping).

Depois de ter deixado a Gaia descansar por 2 dias voltei até Alto Paraíso e saí em direção ao meu próximo objetivo, o Jalapão. Nesse caminho de 7 dias de pedalada, acampei na praça central de Teresina de Goiás e outra noite em um posto de gasolina em Monte Alegre. No dia 10 cruzei a divisa GO - TO e dormi em Arraias - Agora já oficialmente na região Norte desse Brasilzão.

E quanto mais pro norte eu vou, mais insuportavelmente quente tem ficado. Tem sido necessário evitar ao máximo pedalar perto da hora do almoço. Um dia desses eu fiz a besteira de querer enfrentar o sol. Ao meio dia eu me encontrava no meio de uma estrada entre o nada e o lugar algum. Sombra pra descansar só mesmo em miragens. Parar não era uma opção. Nas descidas, o bafo quente que vinha no rosto era semelhante a quando você se agacha em frente ao fogão e abre o forno para ver se o bolo já está pronto, mas sem o cheirinho bom. Não preciso nem dizer que quando não era descida a coisa ficava consideravelmente pior. Daí era como se eu fosse o bolo - mas meu cheiro também não era bem aquele. Além da temperatura alta, que chegou a marcar 44ºC um dia desses, tem ainda esse problema que a vegetação do cerrado (ou talvez aqui já esteja mais pra sertão) é muito baixa e muitas vezes tem que andar vários quilômetros até encontrar uma sombra "meia-boca" para descansar. A maioria dos rios e córregos que cruzam a estrada ficam secos nessa época do ano. Nesses dias, a água que eu levo na bicicleta acaba ficando numa temperatura que cai indigesta no estômago, como um chá sem açucar e sem gosto. Ou, na verdade, até fica um gostinho, o do plástico da garrafa que fica amolecida parecendo que vai derreter. Por tudo isso, eu tenho pedalado bastante à noite. Como as estradas aqui nessa parte do sul do Tocantins são boas e muito pouco movimentadas, fica bem mais agradável de andar depois que a lua aparece e o sol vai esquentar a água dos ciclistas no outro lado do mundo. Além do que... "não há ó gente ó não luar como esse do sertão".

No dia que saí de Arraias, a pedalada foi particularmente agradável. Comecei às 16:30 e logo nos primeiros quilômetros vi a placa que eu mais gosto: "Atenção: Longo trecho em declive". Anoiteceu pouco depois da descida e a estrada estava quase deserta, de meia em meia hora mais ou menos passava algum carro. Num dado momento eu parei pra descansar e sentei no asfalto, logo passei para uma posição mais confortável, deitei. Devido ao meu cansaço, o asfalto ainda quentinho parecia tão macio quanto a minha tão saudosa cama. E nada melhor do que deitar, pois não é deitado que se vê as estrelas? E como é absurdamente mais estrelado o céu nesses lugares distantes das luzes das cidades. A ausência de qualquer barulho que não o do mato completava o espetáculo. Me dei conta que era melhor tomar o cuidado de não cair no sono, porque se algum carro passasse enquanto eu estivesse dormindo no acostamento, era bem capaz de parar para saber o que estava acontecendo. Afinal, ninguém em "sã" consciência deita na beira da estrada para contemplar as estrelas.

De Arraias segui até Conceição do TO onde dormi em um posto. Estava com preguiça de armar a barraca então tentei dormir na rede mesmo, fiquei insistindo por umas 2 horas até me convencer de que não conseguiria dormir na rede e teria que montar a barraca. De lá fui até Natividade e acabei ficando em um dormitório de R$10. Já fazia uns 40 dias que eu não pagava nada pra dormir, mas 10 reais para ter um chuveiro, cama e café da manhã (leia-se pão com manteiga e nada mais) até que estava bem pago. Quando eu estava de saída, uma moça veio limpar o quarto onde eu havia dormido; nisso, o dono do hotelzinho fala pra ela, "nesse aí nem precisa trocar o lençol, ele só dormiu uma noite mesmo".

De Natividade peguei estrada de terra novamente. Não consegui chegar na próxima cidade então dormi na chácara do "Preto", um cara que eu havia encontrado na estrada algumas horas antes. Ele, já prevendo que eu não conseguiria chegar na cidade naquele dia por causa das subidas e da areia na pista, mas sem querer me desanimar, me explicou certinho como chegar na sua casa, caso fosse necessário. Foi. A estrada estava sofrida o suficiente até para eu reavaliar a necessidade de tudo que eu estava levando. No outro dia deixei algumas coisas de presente para o Preto.

No dia 14 cheguei em Ponte Alta, já na região do Jalapão. Uns 20 quilômetros antes de chegar na cidade, um cara em uma Toyota, motorista da prefeitura da cidade, se solidarizou e me ofereceu uma carona. Nem pensei duas vezes. Quando cheguei, tirei a bicicleta da carroceria e fui procurar um lugar pra dormir. Minha barraca já estava precisando de uma boa lavada então eu não tive muita vontade de dormir nela. Fui procurar uma pousada. Na primeira o preço era 50 reais, quando estava indo procurar outra, o Osvaldo, o cara da Toyota, me encontrou na rua e falou que se eu não me importasse em dormir em casa de gente humilde, poderia ficar na casa dele. Aceitei o convite e fiquei por lá 3 dias.
(Uma das coisas que mais me impressiona e me encanta nessa viagem é a hospitalidade do povo brasileiro. Já perdi as contas do número de pessoas que me ajudaram. Alguns conhecidos, mas na maioria das vezes, completos desconhecidos. Me dão abrigo, refeição ou um copo de água apenas. Outras vezes somente algumas sinceras palavras de apoio e carinho e sempre um acolhedor sorriso no rosto. Não sei se é esse par de rodas com mochilas empilhadas, ou essa contagiosa sensação de liberdade que desperta ou aumenta essa hospitalidade, de qualquer maneira sei que amo cada dia mais esse povo brasileiro.)

Em Ponte Alta dei uma folga para a Gaia, várias pessoas me deram o mesmo conselho de não tentar pedalar nas estradas do Jalapão devido a areia. No meu próprio mapa, havia uma advertência, "As estradas de terra do Jalapão tem trechos arenosos que exigem o uso de veículos 4x4". Depois de sofrer um bocado nas subidas do trecho entre Natividade e Ponte Alta, não foi com muito pesar que fui atrás de uma carona. Eu queria ir até o município de Mateiros, onde tem o fervedouro e algumas cachoeiras, e depois voltaria para Ponte Alta novamente. Acordei cedo e fui andar pela cidade para me informar se alguém estava indo pra Mateiros e poderia me levar junto. Consegui um caminhão que ia para lá às 8:00 da noite. Deixei a bicicleta na casa do Osvaldo e fui. A distância até Mateiros era de 160 km, imaginei que levaria umas 2 horas para chegar. Foram mais de 5, isto porque não atolou nenhuma vez. Estávamos em 4 dentro da cabina. O ventiladorzinho do motorista definitivamente não dava conta do calor que fazia lá dentro. Viajar com as pernas apertadas e revezando quem encostava as costas no banco cansou quase tanto quanto pedalar. Chegamos as 2 da manhã, os outros tomaram seus rumos e eu fiquei dormindo dentro do caminhão.
Assim que o sol surgiu eu fui atrás de um jeito para chegar até o fervedouro, ainda faltavam 30 km. Havia a possibilidade de ir caminhando, mas, com certeza seria a última das minhas opções. Fiquei uma hora na estrada para tentar pegar uma carona e nenhum carro passou. Depois tentei alugar uma moto mas seria muito caro. Saí perguntando para o povo se alguém iria pra lá. Acabei conseguindo uma carona a troco de uma ajudinha para a gasolina. A senhora que me levou estava indo colher capim dourado. Mais uma pequena trilha e eu estava lá. Até então eu não sabia muito bem do que se tratava esse tal fervedouro. Era uma piscina, de água borbulhante e cristalina e fundo de areia, perdida no meio de algumas bananeiras. Nos primeiros passos dentro da piscina não havia nada de diferente, o chão de areia era firme como no mar. Porém, mais alguns passos para frente e revelava-se um poço sem fundo onde se afundava e era imediatamente lançado de volta à superficie. Seria falha qualquer tentativa de expressar a sensação produzida por aquela água quente brotando do chão com pressão suficiente para fazer qualquer coisa flutuar. E isso tudo no meio de uma região quase desértica de tão seca. Ainda caminhei mais uns 10 km até uma pequena cachoeira que ficava próxima do fervedouro, mas, depois daquilo, qualquer cachoeira se tornava banal como uma cachoeira qualquer.
Da cachoeira consegui uma carona de volta até Mateiros com o pessoal da Naturatins, orgão responsável pela preservação ambiental do estado. Eles estavam lá para fiscalizar a colheita do capim dourado, uma espécie de capim que só existe no Jalapão e é utilizada para confecção de artesanato. Nos últimos anos houve uma explosão de procura pelo capim dourado, em consequência, a retirada descontrolada fez diminuir muito a quantidade dessa planta, ficando em risco de extinção. Por isso agora o período de colheita é restrito a determinadas épocas do ano, e agora não era uma delas. Evitei de comentar com os caras sobre a minha carona de algumas horas antes.
Cheguei em Mateiros a tempo de encontrar o mesmo caminhão que tinha me levado até lá, já de saída para voltar a Ponte Alta. Dessa vez não havia lugar na cabina então eu fui em cima da carga. Deitei lá e fiquei confortávelmente instalado entre dois sacos de milho, pernas esticadas, vento no rosto. Ainda fiquei de um jeito que não era necessário nem me segurar em nada. Consegui dormir boa parte da viagem. Fiquei lembrando da ida, o calor, as pernas apertadas, os ombros encolhidos... só me lamentei por não ter ido em cima da carga antes. E ainda por cima, ali no milho, pude me privar de ouvir novamete o CD do Arrocha Hits 2000.
Apesar da minha posição privilegiada a volta foi bem mais longa do que a ida. No meio da noite furou o pneu do caminhão e eles não tinham chave para trocar. No final da estória eu acabei pegando outra carona no meio da estrada, que também atolou e eu tive que ajudar a desatolar e cheguei na cidade só às 2 da tarde, com 20 horas de viagem. Dormi na casa do Osvaldo mais uma noite. O filho dele, de 9 anos, disse que me achou parecido com Jesus Cristo. Por que será? Isso que eu nem tenho olhos azuis (lembrei do Nham-de-Jara, ah se fossem os índios... eu também estaria salvo).
No outro dia fui até Porto Nacional, 135 km pedalados, meu recorde de distância na viagem até agora. Só consegui pedalar tanto assim porque choveu e deu uma refrescada no clima. Nesse dia tive um 'pequeno' furo no pneu dianteiro, ainda bem que eu tinha outro reserva. Depois cheguei em Palmas e cá estou. Fui muito bem recebido na casa do Martins, o cara da carona cujo carro eu ajudei a desatolar.
Até aqui completei 2.536 quilômetros rodados. Hoje fazem dois meses e meio que eu saí de casa. Nesse meu caminho muitas pessoas me perguntam com espanto se eu estou viajando sozinho, "mas não é ruim?", "deve ser bom viajar de bicicleta mas com mais gente", "não bate uma tristeza?" Na verdade nas minhas outras viagens de bicicleta eu estava sempre acompanhado por um ou mais bons amigos, e com certeza todas foram ótimas. Mas não por isso essa tem sido pior. Com certeza há várias situações que seriam muito mais divertidas se tivesse alguém pra rir junto e outras que não seriam tão ruins se tivesse mais alguém pra se ferrar junto. Por outro lado, sei que várias coisas boas que aconteceram, oportunidades que surgiram e percepções que eu tive, foram só porque eu estava só. Vi alguém dizer uma vez que quem viaja em grupo fecha-se no grupo, e quem viaja só abre-se ao mundo. Ambas as situações tem seus prós e contras, mas é certo que engana-se quem pensa que viajar só é estar sozinho no mundo. Acho que é melhor o ponto de vista de estar a sós com o mundo. Além do que, quem tem a companhia da Gaia nunca está só.
Meu destino para os próximos dias vai ser Belém do Pará e depois Manaus. Acabei demorando um pouco mais do que eu tinha previsto para chegar até aqui. Minha intenção é chegar em Cuba em dezembro e antes ainda quero conhecer a Venezuela. Sendo assim, vou tentar de agora em diante pegar caronas onde for possível para dar tempo de pedalar um pouco na terra do Chávez.
Até a próxima...

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17 comentários:

Marina disse...

Primo, ta cada dia mais emocionante ler tuas histórias.. todo dia eu entro aqui na esperança d q vc tenha escrito. Se vc soubesse a vontade que da de larga tudo e ir junto com vc, vc ia fica impressionado. Boa sorte, e até a volta. Beijos, Ma

CESAR disse...

Léo
Maravilha, cara, estou impressionado com a qualidade dos seus relatos (nem sequer menciono a elogiável coragem pela jornada). A aventura que você empreende renderá muitos bons frutos, tenho a certeza. Sua imagem de "Jesus Cristo" já está impressionando a galera dessas bandas, pelo que depreendemos dos relatos e das imagens.Fiquei emocionado com a percepção que você demonstrou num trecho do último post, falando sobre o Brasil, que tem tantos matizes, tanta gente boa, principalmente as pessoas simples do interior. Todo brasileiro deveria ser "obrigado" a conhecer o Brasil, como vc está conhecendo. Somente assim eliminaríamos o pessimismo dos bem aquinhoados, o criticismo sem nexo dos que, nascidos bem, falam mal sem conhecimento de causa, sem entender que temos um povo maravilhoso. Continue. Avante. Não é à toa que o Ernesto, em aventura semelhante, descobriu que tem coração e mente. Sucesso, vizinho curitibano!

Bernardho disse...

Opa meu guri, legal saber q vc levava bons amigos nas outras viagens. Mas existe algumas coisas q realmente precisam ser feitas sozinho, (principalmente viajar 6km), eheheh. Como sempre estou tentando mandar pensamentos positivos para vc, gostei muito da foto com cara de louco ( a de jesus e a da placa) e além da gaia vc nunca esta sozinho pq costumam dizer q deus e onipresente. Seu aniversario esta chegando. eeee. Pode jantar num lugar legal e passar o cartao, eu pago quando vc voltar. E a viola tem treinado? ja tocou em alguma praca? sempre lembre do leaozinho ele pode garantir um todinho. Abracos Leo da bike

Tenile disse...

Mano! Caraleoooo....Sensacional teu texto, tuas historias. Chorei de rir com você de Jesus Cristo e com a metáfora do bolo. Hahahaha. Muito bom!
To orgulhosa de você piá, não tem uma vez que eu leia teus relatos e não me emocione...

Ah. Só não gostei de uma coisa. Você poderia ter dividido o preço do passeio com a tal da Melina (foi anti-cosmoético :-) esse teu comportamento!). Eu daria esses 65,00 de presente de aniversario pra vc!!

Um beijo.

Anônimo disse...

Nossa, Léo, tá mto engraçado esse post teu... a do bolo mesmo..até que tu tens senso de humor, oras pois !!
Só cuidado pra neguinho não te confundir com Jesus e começar a seguir que nem discípulo, aí já era a tua solidão com a Gaia... já pensou?? Manchete do Gazeta: "Estudante viaja para Cuba, e acaba criando nova religião".
Senão, realmente tens o dom da escrita.. ainda mais com toda essa vivência.. o verdadeiro cidadão do mundo...cidadão das pessoas...

Bises, Béa

Kalos disse...

Amigo Leo, que bom saber que chegastes bem ao Jalapão, voltei da Chapada com uma vontade danada de cair nesse Brasilzão a fora...

que os bons ventos soprem ao seu favor sempre...

abç camarada.

TECTÔNICO disse...

Grannde Leo
Eu sou o Teotonio, o Curitibano que conhece o Fumaça e que tá morando em Brasilia hehehe. A gente conversou lá no Raizama, proximo a barulhenta São Jorge de feriadão. Acho que foi o feriado mais barulhento que já passei naquela cidade é uma pena a desconfiguração daquele paraíso. De lá para cá foi uma correria no trabalho e acabei não tendo muito tempo para lhe escrever e nem enviar as fotos que tirei lá. A rotina e o trabalho corroem o q mais vale na vida e cv consegue manter isso vivo em vc (e acende este sentimento em quem acessa seus comentários). Os seus relatos são fora de série e a cada dia a curiosidade de acompanhar sua aventura aumenta ao tentar ver suas postagens.
Um grande abraço, muita energia e boas vibrações para vc e quem encontrar no caminho. Continuarei acompanhando sua pedalada.

Teotonio (ou Tectônico) e Gisele

lu*sinha disse...

Oi Léo, passando pra te desejar um feliz aniversário.

Lendo suas impressões, vejo o quanto se pode ser um estrangeiro em seu próprio país. O brasil é tão grande que se dá a esse luxo e vc vindo de lá do sul acaba se surpreendendo com seus mínimos detalhes. Isso é bom. Ruim é perder o encanto quando vem a rotina. Por isso lhe desejo muitas descobertas, hoje e sempre. Que a vida lhe reserve algumas pequenas boas surpresas e vc com seu equilíbrio admirável consiga alcançar esse difícil limiar de amadurecer mantendo o peito aberto, o olhar cheio de encantos e o coração tranquilo.
Um beijo,
Luciana

Thomas disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Thomas disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Thomas disse...

Léo! Felicidades Guri!

Espero q tenhas curtido esse dia em algum lugar nesse mundão afora!
To no CIT e não tem teu tel mais pra mandar um alô...

Abraços!
Muitas felicidades...

PS: acho q vc está sendo atualizado das novidades aqui, certo?

Leo sociais disse...

Impressionante Leo
Tá passando uns perrenge massa heim!! Mas é isso aí. Essa é uma experiencia sensacional. Você deve estar conhecendo uma série de pessoas maravilhosas por essas bandas. Isso é importante. O contanto com o próximo, principalmente nas relações de necessidade extrema, nos faz questionar nossas verdades, nossa razão. Acabamos assim nos conhecendo pelos outros, através dos outro. Muito legal isso Leo !!!
Força aí nessa jornada.
- Tá mandando muito bem nos escritos !!
Abração Leo
Inté
Leo

Leo sociais disse...

Impressionante Leo
Tá passando uns perrenge massa heim!! Mas é isso aí. Essa é uma experiencia sensacional. Você deve estar conhecendo uma série de pessoas maravilhosas por essas bandas. Isso é importante. O contanto com o próximo, principalmente nas relações de necessidade extrema, nos faz questionar nossas verdades, nossa razão. Acabamos assim nos conhecendo pelos outros, através dos outro. Muito legal isso Leo !!!
Força aí nessa jornada.
- Tá mandando muito bem nos escritos !!
Abração Leo
Inté
Leo

Guil.. disse...

Léo grande irmão...fazia um tempão que não abria a página do teu blog...fiquei lendo as histórias, pequenas transmissoes através da linguagem de uma viagem espiritual... de visoes, cheiros , paladares sem fim....Cara, não canso de te falar como admiro tua liberdade,... teu engrandecimento e desapego....Leo "el forasteiro galáctico"...isso aí...qdo inventarem uma bike q voa a gente faz trips mais longínquas ainda..te amo irmão..se cuida, muita força, muita luz e que gaia te proporcione mais e mais momentos pleno puros e cristalinos de energia...pé descalço na terra ; treme com a vibração do caboclo da mata, do cristal coração..aho!*

Danilo disse...

Cara, faz o maior tempo que a gente não se fala, muito antes de vc partir até, mas quero deixar aqui meu apoio... Admiro muito tua coragem e tua capacidade de se libertar! Parabéns também por conseguir transmitir tão bem tuas experiências praticamente indescritíveis... Só de ler já dá a maior vontade de sair viajar pelo nosso Brasil e pelo mundo, conhecer tantas pessoas diferentes, ser livre!
Boa sorte nessa aventura! Muita força aí!
Um abraço, Danilo (10ºP)

Anônimo disse...

Oi, viajante...

Quero te alertar, desculpe, alguém precisa falar mal desse Tom das Ervas, afinal ele é mesmo uma pessoa má.
Absolutamente oportunista, que miséria te dizer que é preciso pagar exorbitante valor para ir à cachoeira. Eu morei lá. Com boa vontade, ele teria indicado lugares muito mais acessíveis, ele sabe disso.

Ele gosta de se aproveitar das pessoas, sobretudo das mulheres. É um bandido, na realidade. É um ignorante em relação ao uso de ervas, sabe apenas o superficial. Suas benzeções são uma piada. Ele é mesmo do demo.

Se liga!!!!! Em Alto Paraíso tem muito vampiro, muito mala... eu sei, morei lá.

Mili disse...

Tom das Ervas....quem falar mal 'e porque nao o conhece mesmo....moramos na serra de Moxambomba no Rio de Janeiro, ha 25 anos atras e ele ja incursionava mata adentro a procura de especies medicinais. Precisei da seiva de jatoba, aqui em Birmingham,Alabama ano passado para um amigo,medico, e ele prontamente me atendeu. Tom das Ervas 'e um cara sensacional e tenho orgulho de dizer q 'e meu amigo!