sexta-feira, 23 de novembro de 2007

De Venezuela

Escrevo de Ciudad Guayana, também conhecida como Puerto Ordaz, Venezuela. Até aqui foram 4230 km rodados, agora falta pouco, só mais uns 800km até Caracas e de lá tento arranjar um barco que me leve até Havana.

Aos relatos.

Depois de uma semana parado em Boa Vista, resolvi seguir em frente. Pedalei até anoitecer e amarrei minha rede em uma mangueira. Dormi ao lado de uma lanchonete apagada, já longe da civilização. Nos últimos dias eu tenho me acostumado a dormir na rede, é mais fresco e dá menos trabalho do que a barraca. No outro dia pedalei uns 30 km e um cara em uma Pampa encostou e me ofereceu carona. Percorri 150km com ele, poupando um dia de pedalada até a fronteira. Além de ganhar a carona mais um refrigerante e um pastel, conheci uma profissão diferente, a de pampeiro.


O que eles fazem é comprar gasolina na Venezuela e vender em Boa Vista. São 230km da cidade até a fronteira, mas mesmo assim o negócio é bem lucrativo. O litro de gasolina nos postos de Boa Vista custa em torno de R$ 2,50 e na Venezuela sai por mais ou menos R$ 0,07 então os pampeiros compram por esse preço e vendem por uns R$2,00. Mas é claro que o contrabando de gasolina é proibido. É permitido atravessar a fronteira apenas com o conteúdo do tanque, não se pode levar galões a mais. Aí é que entra o motivo de eles serem pampeiros. As antigas Ford Pampa 4x4 vinham de fábrica com tanque duplo, com capacidade de 140 litros. Então se o transporte fosse feito com outro carro qualquer não compensaria, porque a gasolina gasta na ida e na volta é praticamente o que cabe em um tanque normal. E se por acaso alguém aumentar o tanque de um carro qualquer pra fazer o transporte, seria enquadrado como contrabandista, mas no caso da Pampa não tem nada fora da lei. Por isso que centenas de pampas - caindo aos pedaços , diga-se de passagem, mas com tanques duplos - fazem esse trajeto todos os dias. Naturalmente que também é proibido vender gasolina no fundo de quintal em Boa Vista, mas isso já são outros quinhentos...


Parei uma noite em Pacaraima, cidade colada na linha da divisa, e acampei em um Centro Cultural que havia lá. No dia seguinte passei na Polícia Federal para carimbar a saída do Brasil no passaporte e lá encontrei um americano que estava fazendo o caminho inverso do meu. Ele morou 4 anos na Venezuela e agora ia conhecer o Brasil. Conversamos um pouco e ele fez questão de falar e repetir para eu conhecer um vilarejo chamado Paujy, que segundo ele, era um dos lugares mais bonitos de toda a Venezuela. Ele me deu o nome de duas pessoas que poderiam me hospedar lá. Ele foi embora e eu segui meu caminho, algumas poucas viradas no pedal e eu me despedi do Brasil.


Estranho essa coisa de fronteiras, cruza-se uma linha e de repente tudo muda, a língua, o dinheiro, a comida, os costumes, as feições, parece que até a paisagem e o clima também mudaram, porque uns 10 minutos depois de chegar na Venezuela fui presenteado com uma chuva que há dias não vinha.


Pedalei mais alguns quilômetros e cheguei em Santa Helena. Descobri que a cidade que o Americano falou ficava fora do meu caminho, a 80 km para oeste, e depois tinha que voltar pelo mesmo caminho. Fiquei bem na dúvida se ia até lá ou não, seriam 160 km para voltar aonde eu estava. Pensei bem e resolvi ir mesmo assim. Comprei umas comidas e saí de Santa Helena no outro dia. Andei uns 15 km e de repente acabou o asfalto, começou uma estrada de terra com umas subidas tão íngremes que não dava pra pedalar, só empurrando mesmo. Pra ajudar choveu e enlameou tudo. Consegui percorrer só metade do caminho e dormi em uma pequena comunidade indígena. Dessa vez sem ameaças, fui bem recebido. No outro dia, mais 40km, subidas fortes e chuva de novo. Cheguei em Paujy no começo da tarde. Antes de ir procurar os contatos que o americano havia me passado, um cara de bicicleta parou para conversar comigo e me convidou para ficar em sua casa. Ele também já tinha viajado de bicicleta e disse que sempre hospedava os cicloturistas que passavam por lá.


Fiquei 3 dias na casa do Wilfrido. O lugar era realmente muito bonito, e de uma tranquilidade fora do comum. Não havia telefone e a energia elétrica só funcionava das 18 às 21 horas, mas não chegava até a casa onde eu estava. Ele tinha então um painel solar que carregava uma bateria para acender as 2 lâmpadas que havia na casa. Tinha também um som e uma TV com DVD, mas quando ligava a TV a bateria só durava 2 horas, então se o filme durasse mais do que isso ou se acendesse uma lâmpada simultaneamente, só dava pra ver o final no outro dia. Lá em Paujy conheci o Benjamin, um músico que me deu um pouso quando eu voltei pra Santa Helena. Conheci também a Arelis que me convidou para ficar uns dias na casa dela aqui em Puerto Ordaz, onde estou agora.


No caminho de volta, como tinha mais descida, consegui fazer em um dia só. Fiquei mais 2 dias em Santa Helena e segui viagem pela Gran Sabana Venezuelana. Por 4 dias pedalei dentro do Parque Nacional Canaima, a paisagem é lindíssima, tem cachoeiras espalhadas por todo o lado, é nessa região que está localizado o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, com 979 m de queda.


No total, de Santa Helena até aqui foram 8 dias de viagem, não pude comer muito bem porque não havia muitos lugares onde comprar comida, mas a paisagem e o sossego compensavam qualquer coisa. De Eldorado, a primeira cidade depois do Parque Nacional, eu pedalei o dia todo para chegar em Tumeremo. Lá dormi em um posto de gasolina e tive que tomar banho com um balde, porque os postos daqui não tem banheiro - que saudades do Brasil. No outro dia cheguei até El Callao. A estrada estava muito ruim neste trecho, não havia acostamento e o movimento era grande. Para piorar a situação, o mato ao lado da estrada era alto e ficava muito perto da pista, em alguns lugares até dentro da pista, e, como que de propósito, eram arbustos espinhentos, então quando passava um carro muito próximo e me forçava a ir mais para o canto me rendia uns bons arranhões. Eu fiquei com a perna e o braço direito todo dolorido e marcado desses encontros com o mato. De El Callao eu continuei mais um pouco, mas a estrada estava cada vez pior e mais perigosa. Resolvi pegar uma carona, ou "agarrar una cola" como dizem por aqui. Consegui bem fácil uma camionete que me levou até Upata, mais ou menos uns 100km. Lá começava a pista dupla e ficou bem mais tranquilo.

Quando eu ainda estava no Brasil, perto da fronteira, ouvi muitas coisas sobre a Venezuela. Além da gasolina barata e dos comentários sobre o Chávez, ouvi dizer que os venezuelanos não gostavam muito dos brasileiros, que não eram muito hospitaleiros, que a polícia era muito corrupta e quando viam um carro brasileiro sempre paravam e cobravam uma propina para deixá-los seguir em frente. Não sei se por eu estar acompanhado pela Gaia, ou por sorte apenas, mas felizmente eu tive uma visão bem diferente desse país. Quanto à hospitalidade, agora eu estou na casa de uma Venezuelana que nunca tinha me visto antes e me recebeu de bom coração. Além dela e das outras casas que eu fiquei, nenhuma vez me negaram um lugar pra acampar ou um pouco de água. E quanto à polícia, várias vezes me pararam na estrada pra pedir documentos, mas nunca me cobraram nada. Uma certa vez que eu parei para descansar em um posto da polícia rodoviária, vi eles pedirem uma melancia de um caminhão que transportava melancias para deixá-los passar. Alguns instantes depois eles me trouxeram uma fatia de presente. Acho que isso realmente tem a ver com o meu meio de transporte. Acho que é pra compensar os banhos de balde e as subidas empurrando.


No dia que estava chegando aqui em Puerto Ordaz aconteceu outro causo interessante. Parei no acostamento pra descansar um pouco. Eu estava no meio de uma subida, pouco inclinada mas muito longa, daquelas do tipo que quando você está distraído, só vê que está subindo quando percebe que está mais cansado do que deveria estar. Era meio dia e meio e o sol estava forte, eu não havia passado protetor solar quando saí de manhã porque naquela hora o tempo estava nublado. Só fui me lembrar disso quando senti o braço queimando. Procurei nos alforjes alguma coisa pra comer, só tinha mais 2 bolachas e bastante água quente. Comi e fiquei descansando por um tempo e esperando o suor secar para passar o protetor. De repente eu ouço umas buzinas e vejo uma camionete velha dando ré em plena estrada movimentada - pensei comigo: "O que que esse animal está fazendo?" Ele voltou de ré por uns 100 metros e parou bem perto de mim. Desceu e veio andando na minha direção. Ele trazia uma caixa com duas bananas, duas ameixas, uma maça, uma tangerina e mais uma caixa de suco. Me entregou tudo. Ele não quis saber de onde eu vinha, para onde eu ia, nada. Me entregou as frutas, me desejou "suerte" e se foi. Mesmo sem entender muito bem o que havia acontecido, eu comi todas aquelas frutas de uma só vez com um sorriso largo no rosto, fazia dias que eu não tinha um almoço tão saboroso. As frutas estavam ótimas, e... o suco de maça... é um capítulo a parte.


Ele estava gelado. Descia pela garganta de uma forma impossível de descrever, não é como tomar um suco que estava na geladeira de casa, ou mesmo um suco feito na hora em uma lanchonete, por mais saboroso que seja. Era uma sensação completamente diferente, infinitas vezes melhor. Aquele suco tinha um quê de especial. O sol estava quente. Ele estava gelado. E eu, estava na beira de uma estrada. Não havia por perto nenhum lugar onde eu poderia comprar um suco - gelado - mesmo que tivesse todo o dinheiro do mundo. Eu estava sentado descansando sob a sombra de uma árvore, e aconteceu o inimaginável... chegou até mim um suco - gelado. Era um milagre, um presente divino, trazido por um mensageiro sob uma chuva de buzinas. E o presenteado era eu... Eu. Me senti o mais especial dos homens, digno de receber uma dádiva dessa magnitude, um suco delicioso - e gelado.

Algumas horas depois cheguei na cidade. Estava procurando a casa da Arelis quando encontrei um brasileiro no sinaleiro. Ele parou o carro do meu lado e rapidamente me fez as perguntas de sempre, mas era um pouco diferente do que o de costume, não tinha aquele ar de espanto e curiosidade, mas um tom de indignação e agressividade, como se de alguma forma eu o ofendesse com a minha estória. Depois, já quase com raiva e num tom de deboche ele me perguntou: "Mas... e o que que ganha com isso?" Na verdade não foi a primeira vez que me fizeram essa pergunta, e nesse tom, já tinha acontecido uma vez ou duas. E nessas vezes eu não pude deixar de perceber uma certa amargura no rosto dessas pessoas, e pensar que talvez sejam pessoas com quem a vida não foi muito complacente.

Pensei em responder pra ele que ganha fugir da mediocridade que a vida pode se tornar, ganha conhecer lugares, culturas, línguas, pessoas, realidades diferentes; aprender coisas que antes nem pensava possíveis, fazer amigos, se sentir parte da natureza, respirar ar puro, fazer exercícios diariamente, conhecer a si mesmo, aprender que precisamos de muito pouco para ser felizes, e que as melhores coisas da vida não custam nada... Pensei em dizer tudo isso pra ele, mas era uma conversa muito longa e talvez ele não estivesse disposto a compreender nada disso. Além do mais o sinal já ia abrir. Então respondi: ganha melancia, outras frutas e suco gelado.

video

20 comentários:

maluli13 disse...

Léo...
peço sempre pra Li me avisar quando vc atualiza... como eh bom ler seus relatos. Dá vontade de se jogar no mundo, de não segurar emoções, de pertencer a outra esfera, de não se reprimir, de não ter q fazer tudo aquilo q somos obrigados, de sorrir a tudo e a todos. (isso quando não peço pra ela mesma contar!Pq ela mistura o relato com sentimentos q pertencem só a vc e a ela, o q deixa tudo ainda mais fascinante)
Pode ter certeza q daqui estão indo as melhores energias possíveis pra seu caminho (e imaginar q alguns consideram loucura... como pode???)
beijos
Má Brito

Ber disse...

Fala Leozito, ta bonito nessas fotos estou ate pensando em te dar uma carteirinha da sociedade dos barbudos. Pra min parece q ainda ontem estavamos na dona dora. Legal descobrir o q vc precisa pra ser feliz, pelos seus relatos imagino q seja fazer algo q vc realmente goste, alguns obstaculos no meio e coisas simples como um suco. Bom continuo torcendo por vc meu guri. Bju

João Ricardo disse...

Salve Léo!!!! Que saudades. Fico feliz por sua viagem estar indo de vento em popa e por ter tanta gente bacana no seu caminho.
Te desejo muitas paisagens bonitas e muito suco no seu caminho!

Um grande abraço

Ariane disse...

Oi Leo!!!

Puxa, que massa esse blog com teus relatos de viajante!!!
Estamos super felizes por vc... e desejamos que seus caminhos ainda a percorrer sejam regados de muita energia e somente coisas boas!

Aproveite!

Um grande abraço,
Marquito e Ariane

Thomas disse...

El Divino Léo!

Como sempre, muito animadores e instigadores teus relatos.
Aguardaremos ansiosos os próximos capítulos!
Abração! Thomas

Anônimo disse...

Léo, um dia quero encontrar com vc, p/ te dar aquele abraço,com permissão da sua namorada, é claro.Com os seus relatos tão maravilhosos, é como eu estivesse viajando na garupa da sua gaia....por isso espero com muita ansiedade por seus relatos...
Que Deus esteja sempre com vc!
Abraços....

Tenile disse...

eu sempre choro de emoção com essas histórias. também quero. beijo.

Anônimo disse...

OI LEONARDO, SOU JOÃO JUVÊNCIO DE ALMEIDA, CICLOTURISTA DE SERTÂNIA-PE,ACOMPANHO VOCÊ DESDE O PRIMEIRO RELATO E TORÇO MUITO PARA Q DÊ TUDO CERTO. O MEU PROJETO PEDALANDO PELO NORDESTE É VISITAR ALGUMAS CIDADES DOS 9 ESTADOS DO NORDESTE, JÁ PEDALEI BA,SE,AL,PE,PB E CE, AGORA FALTAM 3 RN,PI E MA. E FECHO COM VOCÊ QUANDO PERGUNTAM O QUE GANHAMOS COM ISSO, AS PESSOAS NÃO ENTENDEM QUE FAZEMOS ISSO POR PURO PRAZER.UM CICLOABRAÇO.

Bia disse...

Oi, Léo,

Considerando que sou nesta cidade e que eu vou quase sempre pra aula de bici, isso faz de mim uma cicloturista?
Ei, só pra ter certeza, esses relatos é um pré-livro, não?
O que eu mais gosto é ver aqueles momentos teus tipo 'parei pra pensar se realmente compensaria andar 782879 km a mais pra chegar a tal lugar...'. Tu realmente paras pra pensar? Não notaste que tu sempre acabas indo? É lindooo!

Bia disse...

Errata: ...que sou estrangeira...

Anne disse...

Léo!!!
Como é legal ler os seus escritos...Sempre entro aqui pra ver como as coisas estão indo pra vc! Semestre q vem estamos no internato, passou tão rápido!!! Q td dê certo na sua viagem, continue escrevendo q adoro ler seus "capítulos"...a idéia do livro não é nada mal, né?Beijos!

Xú disse...

leozinho leozinho!!
qtas saudades de vc!!
bom saber q vc está bem!!!
ontem fomos ao casamento do tobias e claro q vc foi lembrado!!
hehe
torço por vc demais, sempre!!!!!
beijos da xu!!!!

Anônimo disse...

Oi Léo
Eu nunca tinha entrado aqui, prima MUITO desnaturada, eu comecei a ler e não parei de ler, acabei lendo todos os seus relatos, vendos todas as fotos e vídeo por vídeo, legal demais,vontade de tá junto, fazendo o mesmo, conhecendo!
Estou super emocionada, com saudades... Mas quando nos encontrarmos as novidades não vão vir só de você mas da mamãe aqui, de primeira viajem!
O Joaquim é lindo e não vejo a hora de você poder conhecê-lo...
Eu torço por você e te mando todas as energias positivas!!!
Um beijão da prima que tá com muita saudade... Bá

PS. : A Tê quando conheceu o Joaquim, foi muito engraçado porque ela não sabia como pega e teve que sentar no sofá pra pega o bebê no colo.

Anônimo disse...

Oi Léo
Aqui é a prima desnaturada que foi entrar só hoje, mas hoje mesmo li todos os relatos, e vi todas as fotos e vídeo por vídeos...foi porque eu não consegui parar!
Porém quando nos encontrarmos as novidades não serão só suas pois a mamãe aqui, de primeira viajem, tem muito o que contar.O Joaquim é muito lindo, gostoso e querido!
Estou morrendo de saudades, torço muito por você, mentalizo muita energia positiva!
E dá-lhe Cubaaaaaa
Beijos ba Bá e do Joaquim!!!

Anônimo disse...

Oi Léo
Aqui é a prima desnaturada que foi entrar só hoje, mas hoje mesmo li todos os relatos, e vi todas as fotos e vídeo por vídeos...foi porque eu não consegui parar!
Porém quando nos encontrarmos as novidades não serão só suas pois a mamãe aqui, de primeira viajem, tem muito o que contar.O Joaquim é muito lindo, gostoso e querido!
Estou morrendo de saudades, torço muito por você, mentalizo muita energia positiva!
E dá-lhe Cubaaaaaa

Wan-Dick disse...

Rapaz,
sem descrições a sensação de liberdade e vento na cara que tuas letras me inundaram...
passei só pra ver o cara agora barbudo do sax- o famigerado do meu celular: léodalívia- e acabei imerso nas imagens e sensações coloridas da vida simples e boa.
Cara um abraço de todo coração,
Wan-Dick.

Cesar Pereira disse...

Nesta data, interessante desejar-lhe um FELIZ NATAL, esta comemoração que tem os mais variados significados de acordo com a crença ou descrença de cada um, e que antecede o ano novo, também um registro de calendário que nos possibilita pensar com maior humanidade.
Continue, cara, pedale e pedale muito, que esse seu pedalar é o exercício mais eloqüente da liberdade. E principalmente de um aprendizado pujante, que vem demonstrado nos seus relatos de viagem. Àqueles que lhe perguntam que vantagem você vai levar nisso, não cabe sequer resposta: perdoai-os! Nunca saberão o sabor de um suco gelado, dessas coisas simples que valem a pena viver a vida. E você escolheu vivê-la com magnanimidade. E não dê atenção aos boatos de que outros povos tratam mal os brasileiros. Há que se viver com os outros povos para entender que somos um mesmo ser humano, e que a diversidade faz parte dessa humanidade. Bem ou mal, seremos gente boa ou má aqui, na Venezuela, nos diversos países que, discriminados, estão por aí, e até no "paraíso capitalista" dos USA. Siga em frente com garra, coragem, e dignidade. São os votos deste sexagenário amigo (ainda virtual) de Curitiba, que também já morou na Augusto Stresser, ainda quando ela era só residencial.

lu*sinha disse...

Oi Léo!!
Nossa, cada dia mais barbudo, tua mãe já viu essas fotos??? Passei por sua cidade nesses meses, ela continua linda, eu a quero tanto bem q tou pensando seriamente em pegar pra mim um pouquinho! Porque só em Curitiba o papai noel do outdoor é o Hermeto Pascoal! Meu conterrâneo tão bem recebido... Enquanto isso O Torto me recepciona, me chama de 'morango do nordeste' e ainda ouço: "Chega dos mesmos Curitiba!!"
Não poderia querer nenhum outro lugar! =D
Boa sorte nas suas aventuras e continue escrevendo. Só falta plantar uma árvore e ter um filho.
Beijos

Anônimo disse...

Oi Leonardo.
Puxa é muito legal ler teus relatos da viagem. O sujeito que perguntou o que vc ganharia com a viagem é mais um daqueles que encaram a vida como um "perda-ganha" sem fim, base do capitalismo. Uma vida assim só pode degenerar em competição acirrada, jamais cooperação como ensina a natureza. Então, a tua resposta foi a mais sábia possível ... Realmente, para uma pergunta idiota uma resposta lógica demais: acho que o sujeito até hoje deve estar pensando que tu pedalas para "ganhar melâncias ou frutas" (haha) até o dia em que cair a "ficha" do cara ... Se é que algum dia o cara terá consciência de coisa alguma. É isso. Me orgulho de vc ser de Curitiba como eu. Valeu mesmo. Te admiro pela tua coragem e determinação. A partir de hoje (5 de janeiro de 2008) foi acompanhar os teus relatos. Boa sorte. Segue com força. Tchau

Antonio

Anônimo disse...

Beleza Léo, meu nome é Denis, sou de São paulo, e ontem (09/01/2008) comecei a acompanhar sua viagem, que é um desafio e proporciona uma experiência sem igual! até pra nós que apenas lemos seus relatos fazemos uma viagem e tanto! parabéns por sua determinação e coragem, muita sorte e saúde!