Antes de tudo gostaria de agradecer a todos que têm me incentivado e me apoiado nessa viagem. É muito bom saber que não estou sozinho, e sei que esse apoio será fundamental nos momentos de perrengue e desânimo que tomara não sejam muitos. 
Desde o último relato em Castro seguimos para o Canyon Guartelá, muito melhor agora pelo asfalto, já estava enjoado de comer pó, e a estrada é bem pouco movimentada também. O mesmo rasgo lateral no pneu furado do dia anterior que consertei meio na base da gambiarra me deu problema e me obrigou a jogá-lo fora e usar o reserva. Fora isso o dia de pedalada foi bem tranquilo, foram só 45 km.
No dia seguinte levantamos acampamento e entramos no parque para visitar a cachoeira da ponte de pedra e o mirante. Pedalamos mais 25 km até Tibagi, a melhor cidadezinha do Brasil segundo o prêmio da editora Abril e Guia Quatro Rodas. Noite bem dormida no hotel super luxo Kakito.
A parada seguinte foi em Telêmaco Borba de onde o Bernardho voltou pra Curitiba. Tive que
comprar um pneu novo pra não me incomodar mais. No hotelzinho em que ficamos hospedados o atendende conhecido como Sapinho, às vezes nos chamava de lado e dava suas dicas.. "não deixe nada de valor no quarto, leve junto", "se alguém pedir para trocar uma nota de 10 ou 50 não troque", "não fique marcando". Segundo ele a cidade estava cheia de malandros na ocasião, a responsável pelos novos habitantes é a ampliação da já gigante empresa de celulose que movimenta a cidade. Nos mais de 50 km de estrada no caminho até Curiúva só se via pinus e eucaliptos, o chamado deserto verde do reflorestamento, segundo os entendidos o plantio de eucalipto seca poços artesianos de até 30 metros de profundidade e causa degradação do solo impedindo que outras plantas cresçam, com isso, há o extermínio de variedades vegetais e muitas espécies animais ficam sem alimento. Para se produzir um quilo de madeira são necessários 350 litros de água, além do uso de um aditivo químico altamente poluente que já contaminou a maior bacia pesqueira do Oceano Atlântico, localizada no sul da Bahia.
No outro dia a chuva não tinha parado, na verdade tinha piorado, mas eu já de saco cheio de ficar
parado resolvi ir até Ibaiti mesmo assim, a pedalada me rendeu uma bela duma dor de garganta... é, as mães sempre tem razão... "se agasalhe, não saia na chuva" Em Ibaiti também fiquei um dia parado
por causa da chuva, no segundo dia abriu o tempo e eu vim até Santo Antônio da Platina, de onde estou escrevendo. Amanhã cruzo a primeira dessas linhas imaginárias que separam quintais embandeirados, a divisa PR - SP. Meu roteiro para os próximos dias será Ourinhos, Jacarezinho, Marília, Lins, São José do Rio Preto, Frutal, Prata e Uberlândia. Quem tiver algum amigo ou parente nesse caminho que se disponibilize a me propiciar um cantinho pra dormir por favor me escreva, será muito bem vindo. Valeu e até a próxima...

