quinta-feira, 19 de julho de 2007

Agora a sós com a Gaia

Antes de tudo gostaria de agradecer a todos que têm me incentivado e me apoiado nessa viagem. É muito bom saber que não estou sozinho, e sei que esse apoio será fundamental nos momentos de perrengue e desânimo que tomara não sejam muitos.
Desde o último relato em Castro seguimos para o Canyon Guartelá, muito melhor agora pelo asfalto, já estava enjoado de comer pó, e a estrada é bem pouco movimentada também. O mesmo rasgo lateral no pneu furado do dia anterior que consertei meio na base da gambiarra me deu problema e me obrigou a jogá-lo fora e usar o reserva. Fora isso o dia de pedalada foi bem tranquilo, foram só 45 km.
Chegamos na entrada do Parque Estadual do Guartelá já de noite e ficamos em um camping bem próximo. Como o camping era bom e muito barato resolvemos dar um dia de descanso para as magrelas e ficamos por lá conhecendo os arredores do Canyon. À noite fizemos o típico jantar de gala dos viajantes de bicicleta, macarrão com salame, milho enlatado e leite condensado de sobremesa. Teve direito até a uma fogueira usada pra ferver a água pro chimarrão, que por sinal acabou ficando com um terrível gosto de fumaça porque a tampa da panela improvisada com uma caixa de leite pegou fogo.
No dia seguinte levantamos acampamento e entramos no parque para visitar a cachoeira da ponte de pedra e o mirante. Pedalamos mais 25 km até Tibagi, a melhor cidadezinha do Brasil segundo o prêmio da editora Abril e Guia Quatro Rodas. Noite bem dormida no hotel super luxo Kakito.
A parada seguinte foi em Telêmaco Borba de onde o Bernardho voltou pra Curitiba. Tive que comprar um pneu novo pra não me incomodar mais. No hotelzinho em que ficamos hospedados o atendende conhecido como Sapinho, às vezes nos chamava de lado e dava suas dicas.. "não deixe nada de valor no quarto, leve junto", "se alguém pedir para trocar uma nota de 10 ou 50 não troque", "não fique marcando". Segundo ele a cidade estava cheia de malandros na ocasião, a responsável pelos novos habitantes é a ampliação da já gigante empresa de celulose que movimenta a cidade. Nos mais de 50 km de estrada no caminho até Curiúva só se via pinus e eucaliptos, o
chamado deserto verde do reflorestamento, segundo os entendidos o plantio de eucalipto seca poços artesianos de até 30 metros de profundidade e causa degradação do solo impedindo que outras plantas cresçam, com isso, há o extermínio de variedades vegetais e muitas espécies animais ficam sem alimento. Para se produzir um quilo de madeira são necessários 350 litros de água, além do uso de um aditivo químico altamente poluente que já contaminou a maior bacia pesqueira do Oceano Atlântico, localizada no sul da Bahia.
Chegando em Curiúva nos perguntaram se estávamos lá para o Rodeio, não era bem o caso, como o João também não é um amante da música sertaneja e dos rodeios passamos essa. Até aquele dia o tempo estava ótimo, mas foi nosso barbudo nos abandonar e começou a chover. Vou deixar a barba crescer também pra ver se a sorte começa a me acompanhar. Por causa da chuva resolvi ficar um dia a mais em Curiúva e o João voltou pra Curitiba de lá mesmo, apenas 4 horas de ônibus me separavam de casa, tentador, mas sinto que não é hora ainda, acho que tem muita coisa me esperando pelo caminho. Agora é só eu e a Gaia nesse mundão de meu Deus (pra quem não teve o prazer de conhecê-la, a Gaia é a minha linda bicicleta, já soldada e de sapatinho novo... não fica com ciúmes Li).
No outro dia a chuva não tinha parado, na verdade tinha piorado, mas eu já de saco cheio de ficar parado resolvi ir até Ibaiti mesmo assim, a pedalada me rendeu uma bela duma dor de garganta... é, as mães sempre tem razão... "se agasalhe, não saia na chuva" Em Ibaiti também fiquei um dia parado por causa da chuva, no segundo dia abriu o tempo e eu vim até Santo Antônio da Platina, de onde estou escrevendo. Amanhã cruzo a primeira dessas linhas imaginárias que separam quintais embandeirados, a divisa PR - SP. Meu roteiro para os próximos dias será Ourinhos, Jacarezinho, Marília, Lins, São José do Rio Preto, Frutal, Prata e Uberlândia. Quem tiver algum amigo ou parente nesse caminho que se disponibilize a me propiciar um cantinho pra dormir por favor me escreva, será muito bem vindo. Valeu e até a próxima...

terça-feira, 10 de julho de 2007

Pára um pouquinho, solda um pouquinho, mais 50 km


Era uma manhã ensolarada de sábado, dia perfeito para pedalar. Uma parte já meio esquecida de mim não via a hora desse dia chegar, outra parte mais presente nestes últimos dias queria adiar esse momento ao máximo. Devo admitir que um certo medo tomava conta de mim. Evitava pensar que estava saindo de casa naquele dia sem saber ao certo por onde ia para voltar em não menos do que 6 meses. Não consigo imaginar o que passaria pela minha cabeça se eu não estivesse acompanhado por esses dois grandes amigos e também não quero pensar por ora o que será de mim quando a solidão me encontrar. Não quero nem falar aqui sobre o triste momento das despedidas. Sem mais delongas vou aos relatos.

Logo no primeiro dia de viagem a bicicleta sofreu a primeira avaria. Em uma das tantas subidas íngremes da empoeirada Estrada do Cerne senti um molejo estranho na roda traseira. Parei pra dar uma olhada e não pude acreditar no que vi, meu quadro estava quebrado. Provavelmente devido aos solavancos da estrada esburacada somado ao excesso de peso (63kg: bicicleta + bagagem) o quadro havia se quebrado bem próximo ao eixo traseiro. Estávamos a 12 km da próxima cidade e o sol estava se pondo, o jeito então era empurrar. Depois de uns 2km de caminhada encontramos um boteco. Fui obrigado a cumprimentar e até abraçar quase todos os bêbados presentes para poder chegar até o dono do bar. Perguntei se havia alguma oficina mecânica por perto e ele me apresentou o homem que estava ao meu lado, José, o soldador. Seu José nos levou até sua casa e nos ofereceu um lugar para dormir, é claro que aceitamos. No outro dia de manhã fizemos a solda (ainda bem que minha bicicleta não é de alumínio) e partimos depois de uma cantoria com seu José e seu violão improvisado com corda de pesca. Numa das nossas paradas em outro bar para tomar um refrigerante um dos vários bêbados amigáveis olhou para o Bernardho e como se eles se conhecessem de longa data foi logo se achegando e falando, "Oh barbudo, você por aqui, meus parente tão morrendo tudo, por isso que assim..." Nosso Barbudo foi presenteado com um caloroso abraço com direito até a um beijo no pescoço. Nesse dia acampamos em um terreno baldio na cidadezinha de Abapan. Pela manhã vi que havia soltado uma solda no meu bagageiro dianteiro, por sorte tinha uma oficina bem perto. Fui atendido por um garoto muito simpático, Rai, que não devia ter mais do que 12 anos. Enquanto ele conversava com o nosso Barbudo, não pôde deixar de reparar na quantidade excessiva de bloqueador solar que este exibia na orelha, sem muito rodeio falou, "Cara tira esse protetor da orelha que isso já tá começando a me incomodar".
No terceiro dia, já sem tantas ladeiras pelo caminho chegamos cedo em Castro, tive um pneu furado que consertei meio na gambiarra. O tão esperado primeiro banho propriamente dito, tomado em chuveiro e não em rio só veio nesse dia também.

Vou tentar na medida do possível atualizar o blog semanalmente. Abraços, Léo.
video

sábado, 7 de julho de 2007

Uma Breve Explicação

A idéia de conhecer Cuba surgiu do meu interesse na medicina comunitária e de família aliado à minha curiosidade de saber como é viver em um país socialista. Inicialmente eu pensava em chegar até lá pelos modos convencionais, mas quando meus primeiros contatos para a realização de um estágio formal não se mostraram muito promissores, somado à minha preguiça para essas coisas burocráticas, cheguei a pensar em desistir da idéia.

Outra velha vontade surgida de outras pedaladas por aí, era a de fazer uma viagem mais longa pela América Latina, de bicicleta é claro. Então em janeiro deste ano enquanto eu pedalava até Ouro Preto tive a grande idéia de juntar as duas coisas e fazê-las logo antes que o 'juízo' me viesse à cabeça. O velho sonho de viajar pela América Latina agora com um destino, Cuba.

O plano inicial é pedalar de 4 a 5 meses para chegar no mínimo até a Venezuela podendo esticar até o México de acordo com o tempo de viagem. Pretendo encurtar a permanência dentro do Brasil pegando caronas onde for possível, isso para poder ficar mais tempo em outros países aprendendo espanhol e conhecendo outras culturas. Depois ficarei de 2 a 3 meses em Cuba e retorno em fevereiro para o recomeço das aulas da faculdade.

Abaixo algumas coisas que saíram na mídia sobre a viagem:



Gazeta do Povo impressa (acima):
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/impressa/esportes/conteudo.phtml?id=676205

Gazeta do Povo online:
http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?id=675644 (vale dizer que nunca foi a minha intenção querer imitar o Comandante)

Rádio CBN:
http://www.cbncuritiba.com.br/index.php?pag=noticia&id_noticia=10619&id_menu=103

terça-feira, 3 de julho de 2007

Viagem de Bicicleta de Curitiba até Cuba


Em breve coloacarei os relatos e as fotos da minha viagem de bicicleta com destino à Cuba que iniciarei no dia 07/07/07.